Computação quântica é um jeito de processar informação que usa qubits, unidades que exploram superposição, emaranhamento e interferência para resolver certos problemas muito mais rápido que qualquer computador comum. Em 2026 ela já vence supercomputadores em tarefas de laboratório, mas o uso prático depende de máquinas com correção de erro, que IBM e Google prometem para o fim desta década.
Pontos-chave
- O chip Willow, do Google, com 105 qubits, resolveu em menos de 5 minutos uma tarefa que levaria 10 septilhões de anos no supercomputador mais rápido, segundo o Google (dezembro de 2024).
- A IBM planeja entregar até 2029 o Starling, um computador quântico tolerante a falhas com 200 qubits lógicos capaz de rodar 100 milhões de portas quânticas.
- O NIST publicou em 13 de agosto de 2024 os três primeiros padrões de criptografia pós-quântica: FIPS 203, FIPS 204 e FIPS 205.
- O NIST propõe tornar obsoletos o RSA e o ECDSA de 112 bits após 2030 e proibi-los após 2035.
- Empresas de computação quântica passaram de US$ 1 bilhão de receita em 2025, segundo o McKinsey Quantum Technology Monitor 2026.
- O Brasil prevê R$ 5 bilhões em tecnologia quântica até 2034, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O que é computação quântica e o que é um qubit?
Computação quântica é a área que constrói computadores baseados nas leis da mecânica quântica, a física que descreve átomos, elétrons e fótons. Um computador comum, como o seu celular ou os processadores de servidor descritos no nosso texto sobre o Arm Neoverse CSS N4 e os chips de data center, guarda tudo em bits que valem 0 ou 1. Um computador quântico guarda informação em qubits, que seguem outras regras.
Qubit (bit quântico) é a unidade básica de informação de um computador quântico. Segundo a IBM, um qubit pode se comportar como um bit, guardando 0 ou 1, mas também pode existir como uma combinação ponderada dos dois ao mesmo tempo.
O computador quântico não testa todas as respostas em paralelo e escolhe a certa, como muita reportagem sugere. Ele manipula probabilidades para que a resposta correta fique muito mais provável na hora da medição, e só acelera classes específicas de problemas, como simulação de moléculas e certos cálculos matemáticos.
O que são superposição, emaranhamento e interferência?
Superposição é o estado em que o qubit combina 0 e 1 ao mesmo tempo, com pesos que definem a chance de cada resultado na medição. Segundo a IBM, quando medido, esse estado colapsa num resultado binário definido. É a superposição que dá ao qubit mais espaço de representação que um bit.
Emaranhamento é a ligação entre qubits que faz o estado de um depender do estado de outro. A IBM descreve sistemas emaranhados como tão ligados que medir um qubit revela informação sobre os outros.
Interferência é o mecanismo que faz a conta funcionar. As probabilidades dos resultados se comportam como ondas: a IBM explica que o algoritmo amplifica os caminhos que levam à solução correta e cancela os que levam às erradas.
Como um computador quântico funciona na prática?
Um computador quântico funciona preparando qubits num estado inicial, aplicando uma sequência de portas quânticas (operações que giram e emaranham os qubits) e medindo o resultado. Como cada medição devolve um resultado probabilístico, o mesmo circuito roda milhares de vezes, e a resposta é a distribuição dos resultados. O programa inteiro é chamado de circuito quântico.
O maior inimigo desse processo é a decoerência. Segundo a IBM, decoerência é o processo em que um sistema em estado quântico colapsa num estado não quântico, por medição ou por perturbação do ambiente. Por isso os processadores supercondutores da IBM operam perto de cem vezes mais frios que um grau acima do zero absoluto, dentro de refrigeradores de diluição.
Que tipos de qubit existem hoje?
Os fabricantes apostam em tecnologias físicas diferentes para construir qubits, e nenhuma venceu ainda. Os qubits supercondutores, usados por Google e IBM, são circuitos elétricos resfriados em que correntes se comportam como um único objeto quântico. Esse fenômeno rendeu o Nobel de Física de 2025 a John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis, “pela descoberta do tunelamento quântico macroscópico e da quantização de energia em um circuito elétrico”, segundo a Fundação Nobel.
Os íons aprisionados, usados pela Quantinuum, são átomos carregados presos por campos elétricos e controlados por laser. O Helios, lançado em 5 de novembro de 2025, tem 98 qubits físicos com fidelidade de 99,921% nas portas de dois qubits, segundo a Quantinuum. Já a Microsoft aposta em qubits topológicos: o chip Majorana 1, apresentado em 19 de fevereiro de 2025, usa um material que a empresa chama de topocondutor e foi projetado para escalar até 1 milhão de qubits num único chip.
| Tecnologia de qubit | Empresa e sistema | Número divulgado | Data e fonte |
|---|---|---|---|
| Supercondutor | Google, Willow | 105 qubits físicos | Dezembro de 2024, Google |
| Supercondutor | IBM, Starling (planejado) | 200 qubits lógicos e 100 milhões de portas | Previsto para 2029, IBM |
| Íons aprisionados | Quantinuum, Helios | 98 qubits físicos; 48 qubits lógicos com correção de erro | Novembro de 2025, Quantinuum |
| Topológico | Microsoft, Majorana 1 | Projetado para escalar a 1 milhão de qubits | Fevereiro de 2025, Microsoft |
Fonte: elaboração própria com base em Google (2024), IBM (2025), Quantinuum (2025) e Microsoft (2025).
O que é qubit lógico e por que ele importa mais que o qubit físico?
Qubit lógico é um qubit “virtual” formado por vários qubits físicos que se vigiam mutuamente para detectar e corrigir erros. Essa técnica se chama correção quântica de erros. Um qubit físico erra com frequência; um qubit lógico bem construído erra cada vez menos à medida que recebe mais qubits físicos.
O marco do Willow foi exatamente esse. Segundo Hartmut Neven, fundador e líder do Google Quantum AI, o erro caiu pela metade a cada vez que a grade de qubits cresceu de 3×3 para 5×5 e para 7×7. O Google chamou o resultado de primeira demonstração “abaixo do limiar”, um desafio aberto havia 30 anos. É por isso que a contagem de qubits lógicos, e não a de qubits físicos, é o número a olhar em qualquer anúncio.
Em que pé está a computação quântica em 2026?
A computação quântica em 2026 já tem demonstrações em que processadores quânticos superam os maiores supercomputadores, mas em tarefas escolhidas para mostrar essa vantagem. O físico John Preskill batizou em 2018 esta fase de NISQ (Noisy Intermediate-Scale Quantum): máquinas de 50 a 100 qubits em que o ruído limita o tamanho dos circuitos que rodam com confiança.
| Marco | Número | Data | Fonte |
|---|---|---|---|
| Willow: amostragem de circuitos aleatórios | Menos de 5 minutos contra 10 septilhões de anos no supercomputador | Dezembro de 2024 | |
| Quantum Echoes: cálculo de correlação física (OTOC) | 13.000 vezes mais rápido que o supercomputador Frontier | Outubro de 2025 | The Quantum Insider, sobre artigo na Nature |
| Helios: qubits lógicos com correção de erro | 48 qubits lógicos | Novembro de 2025 | Quantinuum |
| Receita das empresas de computação quântica | Mais de US$ 1 bilhão | 2025 | McKinsey |
| Investimento privado em startups quânticas | US$ 12,6 bilhões, 6,3 vezes o de 2024 | 2025 | McKinsey |
Fonte: elaboração própria com base em Google (2024), The Quantum Insider (2025), Quantinuum (2025) e McKinsey (2026).
O Quantum Echoes merece atenção porque foi diferente do Willow. A tarefa de 2024 era um teste sem uso prático; o algoritmo de 2025 mede uma propriedade física que pode ajudar a interpretar dados de ressonância magnética nuclear, técnica usada para descobrir a estrutura de moléculas. Segundo o The Quantum Insider, o cálculo rodou num processador de 65 qubits e o resultado foi publicado na revista Nature em 22 de outubro de 2025.
Por que a computação quântica ainda não resolve problemas do dia a dia?
A computação quântica ainda não resolve problemas do dia a dia porque as máquinas atuais têm poucos qubits lógicos e erram demais para rodar os algoritmos que realmente interessam. Os principais gargalos são estes:
- O ruído e a decoerência destroem o estado quântico em frações de segundo, o que limita o número de operações que um circuito consegue executar antes de o resultado virar lixo.
- A correção de erro exige muitos qubits físicos para cada qubit lógico, então uma máquina útil precisa de centenas de milhares ou milhões de qubits físicos, e as maiores de 2026 têm pouco mais de uma centena.
- A refrigeração, o cabeamento e a eletrônica de controle crescem junto com o número de qubits, e escalar isso é um problema industrial que ainda não tem solução pronta.
- Os algoritmos com vantagem comprovada são poucos: o algoritmo de Shor, publicado por Peter Shor em 1995, fatora números em tempo polinomial, mas a maior parte dos problemas práticos ainda não tem algoritmo quântico com ganho demonstrado.
- Os dados precisam entrar e sair do computador quântico, e carregar grandes volumes de dados clássicos em qubits é lento, o que elimina boa parte dos ganhos em aplicações de análise de dados.
- A mão de obra é escassa, porque a área exige gente que domine ao mesmo tempo física, engenharia elétrica, criptografia e programação.
O último ponto aparece com força no Brasil. Segundo Guilherme Temporão, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio, “tecnologias quânticas não são apenas ‘computação quântica’ no sentido de programação de algoritmos”, em declaração à MIT Technology Review Brasil.
Quando a computação quântica vai importar de verdade?
A computação quântica vai importar de verdade quando existirem máquinas tolerantes a falhas, com centenas de qubits lógicos, e os roteiros públicos das maiores empresas apontam para o fim desta década. A IBM afirma que vai entregar o Starling até 2029, em Poughkeepsie, Nova York, com 200 qubits lógicos e capacidade para circuitos de 100 milhões de portas quânticas. A mesma IBM diz esperar a primeira vantagem quântica comprovada até o fim de 2026.
“Importar de verdade” tem três marcos diferentes, e confundir os três é a origem da maior parte do hype:
- Vantagem quântica científica. Esse marco já aconteceu em tarefas de teste, como o Willow em 2024, e começa a aparecer em cálculos com sentido físico, como o Quantum Echoes em 2025.
- Vantagem quântica útil. É quando um computador quântico resolve um problema que alguém pagaria para resolver, como simular uma molécula para um remédio ou um material para bateria, melhor que qualquer alternativa clássica. A IBM mira esse marco para o fim de 2026, e ele ainda precisa ser confirmado por terceiros.
- Computação quântica tolerante a falhas. É a fase em que as máquinas rodam algoritmos longos com correção de erro, como o Starling planejado para 2029. Só nessa fase entram aplicações grandes, incluindo a quebra de criptografia atual.
O impacto econômico projetado depende do terceiro marco. O McKinsey Quantum Technology Monitor 2026 estima que a computação quântica pode gerar até US$ 2,7 trilhões de valor econômico no mundo até 2035, e que o mercado de computação quântica em si pode chegar a US$ 43 a 71 bilhões no mesmo ano. As projeções são cenários da consultoria, não garantias.
Hartmut Neven, do Google, defendeu no anúncio do Willow que “a IA avançada vai se beneficiar significativamente do acesso à computação quântica” (tradução livre).
A relação com a inteligência artificial é de complemento, não de substituição. Os modelos atuais, como explicamos no guia sobre como funciona um modelo de linguagem, rodam em GPUs clássicas e vão continuar rodando nelas.
O que a computação quântica muda na criptografia e o que fazer agora?
A computação quântica ameaça a criptografia de chave pública usada hoje em HTTPS, bancos, VPNs e assinaturas digitais, porque o algoritmo de Shor quebra RSA e curvas elípticas numa máquina quântica grande o suficiente. Essa máquina ainda não existe, mas a estimativa de tamanho caiu rápido. Em maio de 2025, Craig Gidney, do Google Quantum AI, calculou que um RSA de 2048 bits pode ser fatorado com menos de 1 milhão de qubits ruidosos em menos de uma semana; a estimativa de 2019 era de 20 milhões de qubits.
As estimativas seguiram caindo em 2026. Segundo o The Quantum Insider, a Iceberg Quantum estimou em fevereiro de 2026 menos de 100 mil qubits físicos para o RSA-2048, num resultado validado só em simulação. Em março de 2026, o Google Quantum AI, com Justin Drake e Dan Boneh, estimou menos de 500 mil qubits físicos para quebrar curvas elípticas de 256 bits, que protegem carteiras de criptomoedas.
O risco já existe hoje por causa de uma estratégia chamada “colher agora, decifrar depois”: um atacante grava tráfego cifrado hoje e espera a máquina quântica para abri-lo. Dados que precisam ficar secretos por dez anos ou mais, como prontuários médicos, segredos industriais e dados de governo, já estão expostos a esse risco. A resposta é a criptografia pós-quântica.
| Documento | Exigência ou prazo | Responsável | Data |
|---|---|---|---|
| NIST FIPS 203 (ML-KEM) | Padrão principal para troca de chaves e criptografia geral | NIST (EUA) | Agosto de 2024 |
| NIST FIPS 204 (ML-DSA) | Padrão principal para assinaturas digitais | NIST (EUA) | Agosto de 2024 |
| NIST FIPS 205 (SLH-DSA) | Assinatura digital de reserva, baseada em hash | NIST (EUA) | Agosto de 2024 |
| NIST IR 8547 (rascunho) | RSA e ECDSA de 112 bits obsoletos após 2030 e proibidos após 2035 | NIST (EUA) | Novembro de 2024 |
| NCSC, prazos de migração | Inventário e plano até 2028; migrações prioritárias até 2031; migração completa até 2035 | NCSC (Reino Unido) | Março de 2025 |
Fonte: NIST (2024) e NCSC (2025).
Segundo Laurie E. Locascio, diretora do NIST, os padrões finalizados são “o ponto culminante dos esforços do NIST para proteger nossas informações eletrônicas confidenciais” (tradução livre). O mesmo comunicado do NIST registra que alguns especialistas preveem uma máquina capaz de quebrar a criptografia atual dentro de uma década.
Como uma empresa se prepara para a criptografia pós-quântica, passo a passo?
- Faça o inventário de criptografia. Liste onde a empresa usa RSA, Diffie-Hellman e curvas elípticas: certificados TLS, VPN, assinatura de código, bancos de dados, APIs e dispositivos. O NCSC britânico coloca esse levantamento completo como meta até 2028.
- Classifique os dados pelo tempo de sigilo. Separe o que precisa ficar secreto por mais de dez anos do que perde valor em meses. Os dados de vida longa vão primeiro na fila.
- Pergunte aos fornecedores sobre ML-KEM e ML-DSA. Navegadores, sistemas operacionais, provedores de nuvem e bibliotecas criptográficas estão adotando os padrões FIPS 203 e FIPS 204.
- Adote criptografia híbrida onde for possível. A combinação de um algoritmo clássico com um pós-quântico protege mesmo que um dos dois tenha falha descoberta.
- Planeje a agilidade criptográfica. Sistemas em que o algoritmo está fixo no código são os mais caros de migrar. Centralize a criptografia em bibliotecas e configurações que possam ser trocadas sem reescrever a aplicação.
- Monte um cronograma até 2035. O NIST propõe proibir RSA e ECDSA de 112 bits após 2035, e o NCSC usa o mesmo ano como prazo de migração completa. Distribua as etapas para que os sistemas críticos estejam migrados até 2031.
Como separar avanço real de hype em notícias de computação quântica?
Uma notícia de computação quântica é confiável quando diz que tarefa foi resolvida, com quantos qubits lógicos, contra qual referência clássica e onde o resultado foi revisado por pares. Estes são os erros de leitura mais comuns e o que cada um provoca:
- Confundir qubit físico com qubit lógico leva a acreditar que uma máquina de mil qubits físicos é mais útil que uma de cem, quando o que decide é quantos qubits lógicos confiáveis ela sustenta.
- Tratar vantagem em tarefa de teste como vantagem prática faz empresas anteciparem investimentos em aplicações que ainda não têm ganho demonstrado.
- Ignorar a referência clássica esconde que algoritmos clássicos também melhoram, e uma vantagem anunciada pode encolher quando surge um método clássico melhor.
- Ler roteiro de empresa como fato consumado cria prazos irreais, porque datas como 2029 são metas corporativas que podem atrasar.
- Esperar a máquina quântica existir para migrar a criptografia deixa dados de vida longa expostos ao “colher agora, decifrar depois” durante anos.
- Achar que computação quântica substitui IA ou nuvem leva a decisões de compra erradas, já que o modelo previsto é híbrido, com a QPU como acelerador para tarefas específicas.
Um bom teste é checar se a notícia aponta o artigo original, na Nature, na Science ou no arXiv, e esperar confirmação independente de anúncios de chips novos. Se algum termo técnico do anúncio travar a leitura, o nosso mapa de termos de inteligência artificial ajuda a separar os conceitos de IA que costumam aparecer misturados com computação quântica.
O que o Brasil está fazendo em computação quântica?
O Brasil prevê investir R$ 5 bilhões em tecnologia quântica até 2034, segundo Ulisses Martins Rosa, coordenador de fomento e inovação do MCTI, em entrevista reproduzida pelo SindPD Ceará em abril de 2025. Do total, R$ 1,7 bilhão iria para infraestrutura de laboratórios, R$ 300 milhões para formação de profissionais, R$ 500 milhões para sensoriamento quântico e R$ 500 milhões para processamento quântico, com R$ 2 bilhões previstos entre 2030 e 2034.
Em junho de 2026, o MCTI e o governo da Paraíba anunciaram o Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba (CIQUANTA-PB), com R$ 200 milhões, sendo R$ 140 milhões do governo estadual e R$ 60 milhões do MCTI. Segundo a Convergência Digital, o centro deve receber os dois primeiros computadores quânticos operacionais do país, com 20 e 100 qubits. A data de operação das máquinas não foi informada.
O mesmo pacote lançou em 19 de junho de 2026 um programa de residência em tecnologias quânticas com R$ 20 milhões em 36 meses, 156 bolsas e meta de formar 500 estudantes, pesquisadores e profissionais em João Pessoa, Campina Grande, Fortaleza, Salvador, Goiânia e Campinas, segundo a MIT Technology Review Brasil.
Perguntas frequentes sobre computação quântica
Computação quântica já existe ou é só teoria?
Sim, a computação quântica já existe em máquinas reais. Google, IBM, Quantinuum e outras empresas operam computadores quânticos acessíveis pela nuvem. O que ainda não existe é o computador quântico tolerante a falhas, com centenas de qubits lógicos, que a IBM promete para 2029.
Quantos qubits tem o maior computador quântico?
Não existe um número único, porque qubits de tecnologias diferentes não se comparam direto. O Willow, do Google, tem 105 qubits físicos, e o Helios, da Quantinuum, tem 98. O número mais relevante é o de qubits lógicos: o Helios demonstrou 48 com correção de erro.
Um computador quântico vai substituir meu computador?
Não. O computador quântico acelera problemas específicos, como simulação de moléculas e certos cálculos matemáticos, e não roda melhor navegador, planilha ou jogo. O modelo previsto é híbrido: computadores clássicos continuam fazendo quase tudo e chamam a QPU só para tarefas em que ela tem vantagem.
Por que computadores quânticos precisam ser tão frios?
Computadores quânticos supercondutores precisam de frio extremo para evitar a decoerência, a perda do estado quântico causada por calor e ruído. Segundo a IBM, os processadores dela operam perto de cem vezes mais frios que um grau acima do zero absoluto. Qubits de íons aprisionados usam outras formas de isolamento.
O que é vantagem quântica?
Vantagem quântica é quando um computador quântico resolve uma tarefa mais rápido ou melhor que qualquer computador clássico. Ela já foi demonstrada em tarefas de teste, como no Willow em 2024. A vantagem quântica útil, em problemas com valor econômico, a IBM espera para o fim de 2026.
O que é um circuito quântico?
Circuito quântico é o programa de um computador quântico: uma sequência de portas quânticas aplicadas aos qubits, seguida de medição. Como o resultado é probabilístico, o mesmo circuito roda milhares de vezes, e a resposta sai da distribuição dos resultados medidos.
O que é um computador quântico tolerante a falhas?
Computador quântico tolerante a falhas é a máquina que corrige os próprios erros enquanto calcula, usando qubits lógicos formados por muitos qubits físicos. Só ele roda algoritmos longos, como o de Shor. A IBM planeja o Starling, com 200 qubits lógicos, como sistema tolerante a falhas até 2029.
A computação quântica vai quebrar a senha do meu banco?
Não hoje. Nenhuma máquina atual quebra RSA ou curvas elípticas. A estimativa de Craig Gidney, de 2025, pede menos de 1 milhão de qubits ruidosos para quebrar RSA-2048, e as maiores máquinas têm pouco mais de cem. A migração para criptografia pós-quântica já começou, com os padrões do NIST publicados em 2024.
O que é criptografia pós-quântica?
Criptografia pós-quântica é o conjunto de algoritmos que rodam em computadores comuns e resistem a ataques de computadores quânticos. Os primeiros padrões oficiais são o FIPS 203 (ML-KEM), o FIPS 204 (ML-DSA) e o FIPS 205 (SLH-DSA), publicados pelo NIST em agosto de 2024.
O que é “colher agora, decifrar depois”?
“Colher agora, decifrar depois” é a estratégia de gravar hoje dados cifrados para decifrá-los quando existir um computador quântico capaz. Ela torna a ameaça quântica atual para dados de sigilo longo, como saúde, defesa e propriedade intelectual, mesmo antes de a máquina existir.
Criptomoedas como Bitcoin estão em risco?
Sim, no longo prazo. Bitcoin e Ethereum usam curvas elípticas, que o algoritmo de Shor quebra. Em março de 2026, o Google Quantum AI estimou menos de 500 mil qubits físicos para quebrar curvas de 256 bits, segundo o The Quantum Insider. Essa máquina ainda não existe.
O que é o algoritmo de Shor?
O algoritmo de Shor é um algoritmo quântico publicado por Peter Shor em 1995 que fatora números inteiros e calcula logaritmos discretos em tempo polinomial. É a base da ameaça quântica à criptografia RSA e de curvas elípticas, porque esses sistemas dependem da dificuldade desses dois problemas.
Computação quântica e inteligência artificial são a mesma coisa?
Não. Inteligência artificial é um campo de software que aprende padrões a partir de dados e roda em computadores clássicos. Computação quântica é um tipo diferente de hardware. As duas podem se complementar, por exemplo com simulações quânticas gerando dados para treinar modelos, mas uma não depende da outra.
Dá para usar um computador quântico hoje?
Sim. Empresas como IBM, Google e Quantinuum oferecem acesso a processadores quânticos pela nuvem, principalmente para pesquisa e empresas. Programar esses sistemas exige noções de álgebra linear e de circuitos quânticos, e simuladores permitem testar circuitos pequenos num computador comum.
Quanto dinheiro movimenta a computação quântica?
As empresas de computação quântica tiveram mais de US$ 1 bilhão de receita em 2025, segundo o McKinsey Quantum Technology Monitor 2026. A consultoria projeta até US$ 4,4 bilhões em 2028 e registrou US$ 12,6 bilhões de investimento privado em startups quânticas em 2025.
Quais setores vão usar computação quântica primeiro?
Química, farmacêutica, materiais e energia são os setores citados com mais frequência, porque dependem de simular moléculas, e moléculas seguem a mecânica quântica. O Google aponta novos medicamentos, baterias para carros elétricos e fusão nuclear entre as aplicações esperadas.
O que é o chip Majorana 1 da Microsoft?
O Majorana 1 é o processador quântico da Microsoft baseado em qubits topológicos, apresentado em 19 de fevereiro de 2025. A Microsoft afirma que o chip usa um material chamado topocondutor e foi projetado para escalar até 1 milhão de qubits num único chip. O resultado ainda depende de confirmação independente.
Por que o Nobel de Física de 2025 tem a ver com computação quântica?
O Nobel de Física de 2025 premiou John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis pela descoberta do tunelamento quântico macroscópico num circuito elétrico. Esse fenômeno é a base física dos qubits supercondutores usados por Google e IBM, o que liga o prêmio diretamente às máquinas atuais.
O Brasil tem computador quântico?
Ainda não em operação. O Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba, anunciado em junho de 2026 com R$ 200 milhões, deve receber os dois primeiros computadores quânticos operacionais do país, com 20 e 100 qubits, segundo a Convergência Digital. A data de operação não foi divulgada.
Como começar a estudar computação quântica?
Comece por álgebra linear e probabilidade, depois estude o modelo de circuitos quânticos com portas, superposição e medição. Simuladores rodam circuitos pequenos num computador comum. No Brasil, a residência em tecnologias quânticas do MCTI oferece 156 bolsas em seis cidades.
Conclusão
A computação quântica deixou de ser teoria: o Willow, do Google, fez em 5 minutos o que um supercomputador levaria 10 septilhões de anos para fazer, e a IBM promete 200 qubits lógicos até 2029. O uso prático ainda depende da correção de erro, mas a ameaça à criptografia já exige ação, com prazos do NIST que terminam em 2035. Para continuar, leia os outros guias da Robolaranja ou fale com a redação pelo e-mail [email protected] ou pela página de contato da Robolaranja.
Como citar este artigo
ABNT: MOREIRA, Rafael. Computação quântica: o que é, como funciona e quando ela vai importar de verdade. Robolaranja, 22 set. 2026. Disponível em: https://robolaranja.com.br/computacao-quantica-o-que-e/. Acesso em: 22 set. 2026.
APA: Moreira, R. (2026, 22 de setembro). Computação quântica: o que é, como funciona e quando ela vai importar de verdade. Robolaranja. https://robolaranja.com.br/computacao-quantica-o-que-e/
Referências
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GOOGLE. NEVEN, Hartmut. Meet Willow, our state-of-the-art quantum chip. Google, 9 dez. 2024. Disponível em: https://blog.google/technology/research/google-willow-quantum-chip/. Acesso em: 22 set. 2026.
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