A Figure anunciou um acordo com a Nscale para garantir até 100 mil GPUs dedicadas ao treinamento de seus robôs humanoides. O compromisso inicial é de US$ 3,5 bilhões e pode chegar a mais de US$ 6 bilhões — valor superior a tudo o que a empresa levantou desde a fundação.
Os termos do acordo
O contrato prevê o uso de GPUs da plataforma NVIDIA Vera Rubin, instaladas em um data center em Barstow, no Texas. O início da operação está previsto para o segundo semestre de 2027. A Nscale, além de fornecedora, entra como investidora estratégica da Figure, e as duas empresas afirmam que vão avaliar o uso dos próprios humanoides na cadeia de suprimentos da Nscale.
Toda essa capacidade tem um destino específico: o Helix, o modelo de controle que a Figure usa para ensinar seus robôs a manipular objetos e executar tarefas. A empresa alimenta o treinamento com o Index, um conjunto de dados que, segundo ela, gera 35 minutos de dados de treino por segundo de operação.
Nosso modelo de IA, o Helix, fica mais capaz do mesmo jeito que todo sistema que aprende: com mais dados e mais computação.
Brett Adcock, CEO da Figure
A conta que chama atenção
O detalhe financeiro é difícil de ignorar. Como observou a Forbes, a Figure captou cerca de US$ 1,9 bilhão em toda a sua história e acaba de assumir um compromisso de US$ 3,5 bilhões em computação. Contratos plurianuais desse tipo costumam ser escalonados e condicionados a marcos, mas a diferença entre o caixa conhecido e o valor anunciado é um risco que o mercado vai acompanhar de perto.
É também o sintoma de uma mudança de fase no setor. Durante anos, robótica humanoide foi um problema de mecânica e atuadores. A aposta atual — compartilhada por Figure, Tesla, Agility e pelas chinesas Unitree e Agibot — é que o gargalo virou dado e computação, exatamente como aconteceu com os modelos de linguagem.
O que observar daqui para frente
- Se a implantação em Barstow sai mesmo no segundo semestre de 2027, ou escorrega — prazos de data center têm escorregado com frequência.
- Se o Helix mostra ganho de desempenho proporcional à computação adicional, o que ainda não está demonstrado em robótica como está em texto.
- Quantos robôs a Figure efetivamente coloca em operação paga até lá, e não apenas em demonstrações.